Vozes dos Cânions - Apiário Cambará — o mel, a memória e a continuidade de uma história
- há 2 dias
- 3 min de leitura
Nos Campos de Cima da Serra, onde o vento atravessa os campos e a natureza dita o ritmo das coisas, existe uma história que começou em família — e que hoje segue como continuidade.
O Apiário Cambará nasceu em 1982, pelas mãos do seu Irineu e da Dona Leci.
O que começou quase como um experimento foi ganhando forma, crescendo junto com o tempo e com o território.
Mais do que produzir mel, eles construíram uma forma de viver.
E quem chega ali percebe isso.

Entre abelhas, campo e memória
Liane cresceu nesse meio.
Entre abelhas, mato e mel, ela acompanhava o pai — às vezes de perto, às vezes observando em silêncio. Fotografava, olhava, aprendia sem perceber que estava aprendendo.
Nunca imaginou que seguiria esse caminho.
A apicultura fazia parte da vida, mas não necessariamente dos planos.
Até que a vida pediu outra direção.
Quando a continuidade acontece
Em 2018, durante a safra, seu Irineu ficou doente.
O apiário já era grande, com centenas de caixas, e o trabalho exigia conhecimento e cuidado. Ele não aceitava que qualquer pessoa assumisse aquilo.
Foi então que Liane entrou.
Não como escolha planejada, mas como continuidade.
Porque conhecia.
Porque sabia.
Porque, no fundo, já fazia parte.
Ali começou oficialmente sua trajetória como apicultora — ainda sem entender totalmente o que aquilo significava.
Até que, com o tempo, veio a consciência:
ela não tinha só um trabalho nas mãos.
Tinha uma história.
Tinha um legado.

Não é só mel
Hoje, o Apiário Cambará segue como uma agroindústria familiar.
Mas, para Liane, o mel nunca foi apenas produto.
“O mel, pra mim, é o meu oxigênio.”
E talvez seja isso que explica tudo.
Porque ali, cada pote carrega mais do que sabor.
Carrega território, tempo e memória.
Os rótulos seguem contando essa história.
Os nomes seguem presentes.
Seu Irineu e Dona Leci já não estão mais ali fisicamente —mas continuam vivos em tudo.
Na forma de trabalhar.
No cuidado com cada detalhe.
E até na lembrança de quem passou por ali.
Há turistas que dizem que, além dos sabores dos méis, o que mais marcou foi o atendimento do seu Irineu e da Dona Leci.
E isso diz muito.

O mel que carrega o território
O mel produzido em Cambará nasce da mata nativa e carrega as características do lugar.
Cada flor, cada estação, cada condição do ambiente interfere no resultado.
Por isso, nenhum mel é igual ao outro.
Ali, o mel é expressão do território.
E, ao mesmo tempo, expressão de quem cuida dele.
Hoje, o mel branco de Cambará ganha reconhecimento, premiações e caminha para consolidar sua identidade própria.
Mas essa conquista não é individual.
É coletiva.
É do território.
O futuro segue sendo contado
Liane segue.
Mantendo o que foi construído, mas trazendo também um novo olhar.
A ideia da casa do mel surge como um espaço de experiência — onde as pessoas possam viver a apicultura, entender o processo e sentir o que existe por trás de cada produto.
O passeio do mel, criado ainda com o pai, continua acontecendo.
Adaptado, maior, diferente — mas com o mesmo propósito:
receber.
mostrar.
compartilhar.

Vozes dos Cânions
Esta é mais uma história da série Vozes dos Cânions, um projeto da Canyons do Sul para registrar e valorizar as pessoas que fazem parte da identidade do território.
Porque os Cânions do Sul não são feitos só de paisagens.
São feitos de histórias que continuam.
.png)

Comentários