top of page

Vozes dos Cânions - Dona Edira e o café com pastel de pinhão na borda do Cânion Itaimbezinho

  • há 1 hora
  • 3 min de leitura
O legado do Vô Marçal e da Vó Maria

No alto dos Campos de Cima da Serra, na borda de um dos cenários mais impressionantes do Brasil, existe uma casa simples de madeira de araucária centenária onde o tempo corre diferente.


Ali, à beira do Cânion Itaimbezinho, dentro do Parque Nacional de Aparados da Serra, vive Dona Edira — guardiã de uma história que começou muito antes do turismo organizado chegar à região.


Filha de moradores que já viviam ali, ela cresceu vendo o abismo se abrir diante da porta de casa. O vento forte, o frio rigoroso do inverno e o silêncio profundo dos campos nunca foram paisagem para ela — sempre foram rotina.


Esse modo de vida carrega o legado do Vô Marçal e da Vó Maria, que construíram ali não apenas uma casa, mas uma permanência.


Café Vó Maria e Vô Marçal

Café, fogão a lenha e pastel de pinhão

Hoje, quem percorre as trilhas do Itaimbezinho pode encontrar algo que não está nos mapas oficiais: café passado na hora, fogão a lenha aceso e pastel de pinhão feito à mão.


Não há placa chamativa.

Não há cardápio sofisticado.

Há costume.


“Se a pessoa chega, a gente oferece um café.”


E assim, de forma simples e verdadeira, nasceu uma das experiências mais autênticas dos Cânions do Sul.


O café é passado no coador de pano.

O pastel de pinhão é preparado com calma.

A conversa é sempre o ingrediente principal.


Uma casa na borda do abismo

Durante décadas, a vida ali seguiu sem energia elétrica. A iluminação vinha de lamparinas, o aquecimento do fogo de chão e o ritmo era determinado pelo nascer e o pôr do sol.


Em 2023, a energia elétrica finalmente chegou à casa na borda do cânion — um marco silencioso, mas profundamente simbólico. Trouxe mais conforto e novas possibilidades, mas sem alterar a essência de quem sempre viveu entre tradição e resistência.


Algumas coisas simplesmente não mudam.


A porta continua aberta.

O fogão continua aceso.

A hospitalidade continua sendo herança.


Mais que paisagem: território vivo

O Cânion Itaimbezinho, um dos principais atrativos dos Aparados da Serra, recebe visitantes do Brasil inteiro — e até de fora dele — em busca de trilhas, mirantes e natureza grandiosa.


Mas o que muitos descobrem ali é que os Cânions do Sul não são feitos apenas de paredões verticais e quedas d’água. São feitos de gente.


Gente que vive o território há gerações.

Gente que abriu a porta antes mesmo de existir roteiro turístico.

Gente que transformou hospitalidade em legado.


Dona Edira não criou uma atração.

Ela manteve um modo de vida.


E talvez seja isso que emociona quem senta à mesa da sua casa: a sensação de participar de algo que é real.


Como viver essa experiência

A visita ao Cânion Itaimbezinho acontece dentro do Parque Nacional de Aparados da Serra, com trilhas estruturadas e mirantes oficiais.


Encontrar Dona Edira e seu café é um encontro que acontece com respeito, tempo e sensibilidade — não como atração comercial, mas como parte da vida que pulsa ali.


Para quem busca experiências autênticas nos Cânions do Sul, esse é o tipo de momento que não se agenda apenas no roteiro: se vive.



Vozes dos Cânions

Esta história abre a série Vozes dos Cânions, um projeto da Canyons do Sul para registrar e valorizar as pessoas que fazem parte da identidade da região.


Porque antes de serem destino, os Cânions do Sul são casa.


E toda casa é feita de histórias.


 
 
 

Comentários


bottom of page