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Vozes dos Cânions - O Futuro já tem voz

  • 7 de ago.
  • 3 min de leitura

Toda paisagem guarda histórias.

Algumas estão nos cânions.

Outras vivem nas pessoas.


Foi para ouvir essas vozes que nasceu o Vozes dos Cânions.


Ao longo desta primeira temporada, conhecemos pessoas muito diferentes entre si.


Dona Edira nos mostrou que hospitalidade pode ser tão simples quanto um café passado na hora e um pastel de pinhão servido na porta de casa.


Liane nos lembrou que um legado continua vivo quando encontra alguém disposto a carregá-lo adiante.


O Tiago, da Morada dos Canyons, nos fez refletir sobre acreditar em um território antes mesmo de ele ser reconhecido.


Emanuelle nos ensinou que existe uma vida inteira acontecendo entre as matas, os campos e os paredões. E que preservar começa quando aprendemos a conhecer.


Daniela nos mostrou que, às vezes, é preciso partir para descobrir que o lugar onde sempre estivemos era exatamente onde pertencíamos.


Paula nos lembrou que o amor por um território também se aprende. Que nasce na infância, nas experiências e no conhecimento sobre o lugar onde vivemos.


Enquanto escrevia cada uma dessas histórias, comecei a perceber uma coisa.


Nenhum entrevistado respondeu à mesma pergunta.

Mas, sem saber, todos respondiam exatamente à mesma.


Como nasce alguém que ama este território?


Talvez a resposta nunca estivesse em apenas uma pessoa.

Ela estava espalhada em cada história.


Mas ainda faltava ouvir quem vai escrever os próximos capítulos.


Para encerrar esta primeira temporada, sentei para conversar com duas crianças.


Miguel e Antônio.


Duas crianças que hoje crescem entre rios, trilhas, cachoeiras e cânions.


Perguntei qual era o lugar favorito deles.

Antônio respondeu:

"Todos os lugares. São lindos. Tem animais, natureza e rio."

Miguel respondeu:

"A igreja. Porque a gente gosta de Deus."

Perguntei o que eles mais gostam de fazer por aqui.

Um respondeu:

"Caminhar na natureza."

O outro:

"Ver os bichinhos."
miguel com alface de dinossauro

Quando perguntei o que mostrariam primeiro para quem vem visitar os Cânions do Sul, Antônio pensou no acolhimento.

"O hotel. Porque é onde ele vai dormir e comer."

Miguel pensou na natureza.

"Os bichinhos. Lá nos morros."

Perguntei qual era o lugar mais mágico da região.

Antônio respondeu:

"A Magia das Águas. Porque se tem magia no nome, com certeza eu imagino."

Miguel lembrou da caverna iluminada da Trilha da Preguiça (paleotoca)


Depois perguntei o que eles nunca gostariam que mudasse.

Antônio respondeu do jeito mais sincero que uma criança consegue responder:

"Que não destruam. Que não caia um meteoro. Que um turista malvado não arranque."

Miguel respondeu apenas:

"Os bichinhos."

Mas talvez a pergunta mais importante tenha sido outra.

O que os adultos precisam fazer para este lugar continuar bonito?


Antônio respondeu:

"Cuidar da natureza. Não arrancar. Dar água. Não jogar lixo."

Miguel completou:

"Cuidar das árvores."

Naquele momento, foi impossível não lembrar de cada pessoa que passou por esta série.


Dona Edira.

Liane.

Tiago.

Emanuelle.

Daniela.

Paula.


Cada um, à sua maneira, falava exatamente da mesma coisa.

Cuidar.

Conhecer.

Pertencer.

Amar.


Antes de terminar nossa conversa, perguntei como eles imaginavam os Cânions do Sul quando fossem adultos.

Antônio respondeu:

"Acho que vai ter mais bichos, porque as femininas dos bichos terão mais bichos."

Miguel sorriu e disse:

"Vai ser lindo e verde."

Talvez seja justamente isso.


Enquanto nós, adultos, pensamos em desenvolvimento, turismo, economia e infraestrutura, as crianças continuam enxergando o essencial.


Elas não sonham com grandes obras.

Sonham com árvores.

Com bichos.

Com rios.

Com natureza.


E talvez seja exatamente por elas que todas as histórias desta primeira temporada precisaram ser contadas.

Porque Dona Edira, Liane, Tiago, Emanuelle, Daniela e Paula nunca falaram apenas sobre o presente.


Cada um, do seu jeito, estava ajudando a construir o futuro.

Um futuro onde ainda existam rios para brincar.

Trilhas para caminhar.

Animais para observar.


E um território capaz de continuar despertando o encantamento de quem nasce aqui...

Ou de quem escolhe este lugar para chamar de casa.


antonio no malacara

Vozes dos Cânions

Ao longo desta primeira temporada, ouvimos pessoas muito diferentes.

Algumas nasceram aqui.

Outras escolheram permanecer.

Outras encontraram neste território um propósito.

Mas todas tinham algo em comum.

A certeza de que um lugar só continua existindo quando existem pessoas dispostas a cuidar dele.


Talvez seja esse o verdadeiro significado do Vozes dos Cânions.


Não apenas registrar histórias.

Mas revelar as pessoas que dão significado a este território.


Porque, no fim, um cânion não é feito apenas de rochas.

Um território não é feito apenas de paisagens.


Ele é feito das pessoas que o acolhem.

Que o preservam.

Que acreditam nele.

Que ensinam as próximas gerações.

E das crianças que, um dia, continuarão escrevendo essa história.


Encerramos aqui a primeira temporada.

Mas este território ainda guarda muitas vozes.

E eu tenho a sensação de que estamos apenas começando.


Até Breve! Letícia Figueiredo

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